Na história da cerâmica francesa do século XX, Roger Capron (1922–2006) ocupa um lugar singular. Artista, ceramista e designer, contribuiu para transformar a perceção da cerâmica em França, transformando este ofício tradicional num verdadeiro campo de experimentação artística.

A sua obra combina formas arquitetónicas, motivos gráficos, cores mediterrânicas e saber-fazer artesanal. Através das suas criações, Capron demonstra que a cerâmica pode ser simultaneamente funcional, decorativa e profundamente artística.

Esta filosofia encaixa-se naturalmente no universo da Galeria Martynoff, onde os objetos decorativos são apreciados tanto pela sua beleza como pela sua história, pelo seu saber-fazer e pela sua capacidade de atravessar as épocas.

Uma nova geração de ceramistas franceses

Nascido em Vincennes em 1922, Roger Capron frequentou a Escola de Artes Aplicadas à Indústria de Paris. Após a Segunda Guerra Mundial, interessou-se particularmente pela cerâmica, que vivia então um verdadeiro renascimento em França.

Em 1952, fixou-se em Vallauris, uma pequena cidade da Côte d’Azur que se tornou um dos grandes centros europeus da cerâmica artística.

Lá, juntou-se, nomeadamente, a Pablo Picasso, Jean Cocteau, Suzanne Ramié e outros artistas atraídos pelas possibilidades oferecidas pela argila e pelo fogo.

Vallauris torna-se assim um verdadeiro laboratório artístico onde a tradição da olaria se cruza com as pesquisas da arte moderna.

A cerâmica como arte moderna

Numa época em que o design industrial vai ganhando terreno progressivamente, Roger Capron defende uma abordagem diferente.

Para ele, a cerâmica não deve ser reduzida a um mero objeto utilitário. Pode tornar-se uma superfície de expressão, um suporte para a cor, o desenho e a matéria.

As suas criações exploram, nomeadamente:

    • as formas geométricas;

    • os motivos vegetais;

    • as figuras estilizadas;

    • as composições abstratas;

    • os relevos e as texturas;

    • os contrastes entre a argila e o esmalte.

Esta pesquisa confere às suas obras uma identidade imediatamente reconhecível.

O papel de Vallauris

Vallauris desempenha um papel essencial na evolução artística de Capron.

A cidade possui uma longa tradição na produção de cerâmica utilitária. Capron contribui para transformar este património numa verdadeira indústria da criação contemporânea.

Juntamente com Jean-Paul Bonnet e Robert Picault, fundou em 1946 o atelier Callis, antes de criar, em 1952, a olaria Capron, que produz objetos destinados a um público mais vasto.

Esta vontade de tornar a cerâmica artística acessível constitui uma das particularidades do seu percurso.

Do azulejo ao painel decorativo

Roger Capron desenvolve também uma utilização espetacular do azulejo cerâmico.

Cria composições murais monumentais nas quais cada azulejo se torna um elemento de uma imagem mais ampla. Os seus painéis podem representar paisagens, personagens, cenas mediterrânicas ou composições abstratas.

Esta abordagem aproxima a cerâmica da arquitetura.

A parede já não é apenas uma superfície funcional: torna-se uma obra de arte.

Uma estética mediterrânica

A luz e as paisagens do sul de França influenciam profundamente o trabalho de Capron.

Os tons terrosos, os azuis, os ocres, os verdes e as cores quentes evocam diretamente o Mediterrâneo.

No entanto, a sua obra nunca se limita a uma representação folclórica do Sul. As formas são simplificadas, as composições tornam-se gráficas e os motivos assumem uma dimensão quase universal.

Esta combinação entre tradição mediterrânica e modernidade explica, em grande parte, a longevidade do seu estilo.

A matéria no centro da criação

Na galeria « Roger Capron », o material tem uma importância comparável à do desenho.

As irregularidades da argila, as variações do esmalte e os vestígios deixados pela cozedura contribuem para a identidade de cada obra.

Esta dimensão artesanal é essencial: duas peças resultantes de um mesmo projeto podem apresentar ligeiras diferenças, revelando o caráter humano da sua fabricação.

É precisamente esta relação entre o domínio técnico e a espontaneidade que torna as suas criações particularmente apreciadas pelos colecionadores.

Da produção em série à peça única

Ao longo da sua carreira, Capron foi evoluindo progressivamente para uma prática mais pessoal.

Depois de ter trabalhado durante várias décadas numa lógica de produção, regressa a uma abordagem mais experimental e passa a criar mais peças únicas.

As suas obras tardias revelam uma maior liberdade: composições mais abstratas, superfícies mais ricas e uma investigação permanente em torno da matéria.

Esta evolução demonstra que ele nunca deixou de questionar a sua própria linguagem artística.

Da produção em série à peça única

Ao longo da sua carreira, Capron foi evoluindo progressivamente para uma prática mais pessoal.

Depois de ter trabalhado durante várias décadas numa lógica de produção, regressa a uma abordagem mais experimental e passa a criar mais peças únicas.

As suas obras tardias revelam uma maior liberdade: composições mais abstratas, superfícies mais ricas e uma investigação permanente em torno da matéria.

Esta evolução demonstra que ele nunca deixou de questionar a sua própria linguagem artística.

Conclusão: A terra transformada em poesia

Roger Capron contribuiu para que a cerâmica francesa entrasse numa nova era.

Ao aliar o saber-fazer tradicional, o design moderno e a expressão artística, demonstrou que a argila podia tornar-se muito mais do que um material funcional.

As suas criações contam uma história de cor, de matéria e de liberdade criativa, mantendo ao mesmo tempo uma ligação profunda com as tradições artesanais francesas.

No universo da Galerie Martynoff, a obra de Roger Capron encontra naturalmente o seu lugar: ela lembra que o verdadeiro objeto de arte é aquele que consegue reunir a mão do artesão, a imaginação do artista e o olhar do colecionador.

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